Cruzamo-nos, todos os dias, com centenas de pessoas e, se pensarmos bem, é impossível ter uma noção minimamente razoável da quantidade de pessoas com quem nos cruzamos ao longo de uma semana, quanto mais numa vida. E é impressionante a forma como algumas nos passam despercebidas e outras, pelo contrário, fazem toda a diferença. É impressionante. Um acaso ou uma escolha, não sei. Na verdade o acaso pode fazer com que a pessoa que inconscientemente "escolhemos" para fazer parte do nosso percurso, até nem fosse a mais parecida connosco, aquela que seria de esperar se conhecessemos realmente todas as pessoas com quem nos cruzamos. Mas são essas pessoas, as que escolhemos e que nos escolhem a nós, essas que farão parte da nossa vida, da história que escrevemos todos os dias. E todas elas nos ensinam algo. Mesmo aquelas que, lentamente, deixam de fazer parte do presente para passar a fazer parte do passado.
Perdemos amigos, perdemos amores e até pessoas para as quais, por muito que nos preparemos, nunca estamos prontos. A perda é uma constante na vida do ser humano. E cabe a nós crescer e lidar com ela, seja ela uma perda mais ou menos eterna, se é que me percebem.
Nunca se esquece. Nunca esquecemos as pessoas que realmente nos marcaram. Mesmo que o final de uma amizade ou de um amor tenha sido demasiado doloroso para que quisessemos continuar a lutar por isso. Tentamos, em vão, fingir que aquela pessoa não existe. Tentamos, em vão, fazer de conta que estamos bem, que não nos afetou. Somos seres demasiado orgulhosos para admitir que não queríamos que aquilo acontecesse. E, mesmo quando não somos, mesmo quando tentamos, de nada serve se a outra pessoa não estiver disposta a deixar o orgulho de lado e aceitar que, para nós, aquilo é errado. Mesmo que para essa pessoa seja o correto.
Mas a vida é demasiado curta. O problema reside em acharmos que temos tempo para tudo. Que temos tempo para sermos felizes. Mas não temos. Ninguém sabe o tempo que tem, o que lhe resta. Por isso, e só por isso - o que já me parece uma razão bastante boa, acredito que se algo nos faz feliz devemos fazê-lo, se alguém nos faz feliz, devemos dizê-lo mas, se alguém nos faz mal, também nos devemos afastar. Se nos deixarmos pairar pelo espaço virtual entre o passado e o futuro, se não fizermos de cada dia único, tão breve não iremos alcançar o futuro que tanto desejamos. Se somos felizes, realmente felizes, porquê inibir isso? Porquê ter medo? Vale a pena arriscar. Mesmo que, no fim, a perda seja uma constante. Porque o é. Mas só vale a pena aceitar as perdas que a vida nos traz se aproveitarmos mais as "chegadas" e os "presentes". Se aproveitamos os pequenos momentos. Se aproveitarmos realmente um abraço, uma chamada, uma palavra amiga. Se não formos nós a conservar as pessoas que entram, ao acaso ou não, na nossa vida e se essas pessoas não fizerem o mesmo, se não estivermos em sintonia, continuaremos neste espaço virtual em que tudo acontece sem termos uma palavra a dizer, sem tomarmos as atitudes que deveríamos ter tomado.
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